Me vi em reflexos tortos
De olhos que desaguaram falsamente
É loucura ou cegueira?
Eu não te compreendo.
Turvos como tempestade e água salobra
Me lavei dos destinos impostos
Me rendi a minha nula totalidade
Reescrevi meu mapa e caminhei
Já perdi mais do que gostaria
Ganhei menos do que acreditava
Se é que acreditava merecer algo
Ainda assim, me sentei à sombra
Certo dia, ouvi de um desconhecido amigo
Sobre luzes e penumbras
Sobre ser e esquecer
Sobre quem eu era e quem eu imaginava ser
Minha penumbra também sou eu
Não carrego máscaras, ou doçuras conquistadoras
Nua, embriaguei de Estige e desci ao tártaro
Reconheci meu fulgor.
Me embalei nas palavras dos mortos
E adormeci, desperta.
T.Alves

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