23 dezembro 2025

Umbra Mei

Me vi em reflexos tortos

De olhos que desaguaram falsamente

É loucura ou cegueira?

Eu não te compreendo.

 

Turvos como tempestade e água salobra

Me lavei dos destinos impostos

Me rendi a minha nula totalidade

Reescrevi meu mapa e caminhei

 

Já perdi mais do que gostaria

Ganhei menos do que acreditava

Se é que acreditava merecer algo

Ainda assim, me sentei à sombra

 

Certo dia, ouvi de um desconhecido amigo

Sobre luzes e penumbras

Sobre ser e esquecer

Sobre quem eu era e quem eu imaginava ser

 

Minha penumbra também sou eu

Não carrego máscaras, ou doçuras conquistadoras

Nua, embriaguei de Estige e desci ao tártaro

Reconheci meu fulgor.

Me embalei nas palavras dos mortos

E adormeci, desperta.


T.Alves


 

 

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