Meu Lado Negro
Minha válvula de escape
29 abril 2026
Quies inquieta
12 fevereiro 2026
Lucky Strike
Me desfaço em fumaça
Entre um trago e outro, eu vou.
Não sou donzela encantada, querido,
Prefiro ser a vilã que me pintam
Mesmo mártir, ainda serei a bruxa da floresta
A que envenena poços e seca plantações.
Vamos jogar?
Você me conta uma mentira doce, e eu como seu coração
Querido, abra os olhos, e veja os aplausos
O tolo sempre tem plateia.
A cada gole, absorta e inebriada,
Teias me envolvem e aranhas me traçam,
Enquanto se alimentam, desvaneço-me.
Minhas chagas me lembram quem sou.
Quem fui, não importa mais.
A fumaça, a cólera, a fome,
O movimento do diafragma me nutre as veias,
A lâmina as desfaz,
Os tragos, recondicionam.
Amanhã é outro dia, outra vida.
Enquanto nuvens derramarem bênçãos,
Estarei aqui.
T.Alves
28 janeiro 2026
In Nomine Patris
"Adorei as almas, as almas adorei (...)"
Trocam de ídolos como de roupa
Hoje uma cor clara, amanhã sangue e negro.
Aonde estaríamos sem as correntes?
Aonde estaríamos se elas nunca atassem pés e pulsos?
O sorriso dourado e os olhos feitos de esmeraldas
(Mil contos de réis)
Pérolas vertem de seu ventre, abusado.
Mãos, pés, corpo cansado.
Esqueci meu nome e identidade
Que identidade? Corpos sem alma são ferramentas
Quem sou?
Um arremedo de coisa alguma,
O que sobrou de algo... Ou alguém.
Não sei dizer, me apagam, sufocam..
- Calada!
- Sim, sinhô.
Cabisbaixo, cicatrizes, tronco.
A escuridão sempre provocou medo nos homens
A pele escura acordou o diabo do coração branco.
Em nome de deus, ainda ajoelhamos e rezamos,
Em nome do deus, vestimos paletó.
Em nome do deus, conhecemos os sete palmos.
Cedo demais.
Se converta, ou perecerás!
T.Alves
21 janeiro 2026
Cia: soledad
Estava relendo cartas antigas. O Tempo, senhor da razão, matura tudo, não é?
As mesmas cartas que outrora me rasgaram, agora me dão alento.
Não sei dizer o porquê ou como, apenas sei que mudei.
Aceitei minhas raízes e meus demônios, engoli luz e escuridão, e saltei ao precipício.
Me lembro de me encantar com o simples e o fugaz, e enaltecer migalhas.
Seriam migalhas, ou eram o banquete que podiam me dar? Não sei dizer.
Ainda me sinto perdida, mas não só.
Solitude e solidão são companheiras e amigas de longa data. Ainda rio de mim mesma, ao pensar o quanto fugi delas, sendo elas minhas sombras. Aprendi a abraçá-las e a ter seu colo como casa.
As vezes tragamos, as vezes, prosas, mas sempre lar.
Sempre me vi tão adulta e hoje veio quão criança sou. Ainda falta tanta estrada, tantas bifurcações e pedras adiante, que mal posso ver o horizonte.
Ainda tenho pressa, ao passo que, quero aproveitar cada pôr do sol e cada gota de chuva no caminho.
Encontrei a lucidez mergulhando fundo na loucura.
T.Alves
23 dezembro 2025
Umbra Mei
Me vi em reflexos tortos
De olhos que desaguaram falsamente
É loucura ou cegueira?
Eu não te compreendo.
Turvos como tempestade e água salobra
Me lavei dos destinos impostos
Me rendi a minha nula totalidade
Reescrevi meu mapa e caminhei
Já perdi mais do que gostaria
Ganhei menos do que acreditava
Se é que acreditava merecer algo
Ainda assim, me sentei à sombra
Certo dia, ouvi de um desconhecido amigo
Sobre luzes e penumbras
Sobre ser e esquecer
Sobre quem eu era e quem eu imaginava ser
Minha penumbra também sou eu
Não carrego máscaras, ou doçuras conquistadoras
Nua, embriaguei de Estige e desci ao tártaro
Reconheci meu fulgor.
Me embalei nas palavras dos mortos
E adormeci, desperta.
T.Alves
21 novembro 2025
26
Infinita fênix, já enxergas teu próximo renascer?
Pacientemente, escolhes caminhos diante bifurcações?
Aguarda conselhos nas encruzilhadas?
Alça voos em precipícios?
Já galgas degraus antes mesmo de avistar horizontes?
Ou ainda se agarra ao medo do desconhecido?
Tenho percebido diversas aves, como tu.
Curiosas e cativantes, ávidas pelo mundo, como loucos.
Tens caminhado só? Ou já reconheces os que andam ao seu lado?
Ah! Querida e tola passarinha!
São tantas estradas, quão grandes seus panoramas!
O Diabo me contou de seus sonhos e deleites e me diverti com eles.
Nobres pisoteiam plebeus,
Plebeus imploram por migalhas nobres,
Enquanto eu, assisto à derrocada de ambos.
Como será a tua?
T.Alves
22 outubro 2025
IN MEMORIAM
Ainda é necessário lavar teus pés com minhas lágrimas?
Ainda desejas reverências e imperas com medo?
O terror que senti já se esvaiu,
E minhas forças se foram junto dele.
Eu vi um céu brilhar e tilintar,
Estrelas caírem e queimarem as esperanças que plantei.
Todo sacrifício era pouco,
Toda modéstia era falsa.
Envenenei as águas e o vinho e os bebi,
Comi a massa feita pelo diabo,
E corri descalça por agulhas.
O fantasma ainda me acompanha,
Já não me assusta, é só uma sombra.
Mais uma sombra.
Mais um gole, um trago e uma linha reta.
Será que os anjos cantam?
Ou ouço as minhas próprias vozes bendizendo o vazio?
Ao deitar, vi fogos coloridos e fui tomada por êxtase.
Adeus.
Amanhã,
tu,
me banharás de lágrimas.
Eu,
estarei em casa...
Finalmente.
T.Alves
29 setembro 2025
25
Criatura pérfida e cruel.
Eu vejo sua alma e sua sujeira .
Suas mentiras e sua falsidade.
Duas caras, dissimulada, cobra.
Eu enxergo sua podridão.
Bela encantadora, musa da doçura,
És alento às dores.
És a cura das feridas de minh’alma.
Não vejo meu caminho sem tua luz.
Entregou-me ao carrasco do inferno, soberba és.
Deu-me aos lobos.
Deixou-me apodrecer, do âmago à tez.
A doença que corrói meu ser, é de teu veneno.
Maldita, miserável.
És tu anjo ou deusa, para me elevar aos céus?
Tens meu coração, meu fiel amor.
Todas as canções que ouço, me lembram de ti.
Em todas as cores, encontro em teu olhar.
Toda felicidade é contigo.
Vadia, consorte, víbora, amada!
Bruxa desprezível, Dama encantadora!
…Mulher…
T.Alves
16 setembro 2025
24
Quebrada.
Vozes anunciam e clamam,
Enquanto, entorpecida, rejeito minhas asas.
Invejo a liberdade dos pássaros e seu curto prazo,
Ora ávidos, dançam aos ventos,
Ora descuidados, são devorados por outrem.
Sou bailarina.
Rodopio.
Ora em chamas, ora em lagos congelados.
Vislumbro sombras e lucidez,
Negocio com desconhecidos da plateia,
E desvaneço ao alcançar a perfeição.
A contraponto, holofotes me alcançam nas quedas e erros.
A coreografia contemporânea da vida, torta e mal feita,
Retira burburinhos e gracejos de espectadores sedentos.
Cubro o palco de sangue e lágrimas, então, aplausos.
Bem vindos ao espetáculo!
Bis! Bis! Bis!
Dê mais corda, gire, e toque novamente,
A caixinha está desgastando, mas este é seu brinquedo favorito!
Reabram as cortinas, estendam a lona!
Encharque o palco!
Todos aclamam sua queda.
T. Alves
08 agosto 2025
Pater, ubi es?
Vistes meu nascer,
Estavas lá nos primeiros passos e tombos,
Estavas lá nas primeiras risadas e lágrimas.
Aonde fostes?
Me renegas
O que te fiz? Por que me fez?
Sua sombra paira sobre minhas lembranças
E mesmo tão tenro, já aprendi a dor da perda.
Preferia eu, ter perdido um joguete,
Ao contrário, perdi parte do que eu nem havia aprendido ainda.
Sabia que ainda espero que adentres pelas portas?
Que me chame e me confirme seu amor?
Era mentira tudo que me dissestes?
É culpa minha tua debilidade?
Se é, perdoa-me, ainda não sei o que faço.
Ainda estou jovem para caminhar só.
Ainda tenho medo do escuro.
Ainda não entendo a vida,
Ainda sonho.
Perdoa-me por ainda sentir que falta algo.
Quiçá, já em madura idade, não questione mais.







