29 abril 2026

Quies inquieta


Transcorria a vida diante dos olhos.
Deitado à beira, certificou-se de que nada abalaria sua quietude.
Por horas, assistia ao céu anil mudar seus tons;
O vento brincava com as vidas verdejantes ao seu redor,
Trazendo aromas fugazes e indiferentes ao seu torpor atual.
Eram grandiosas telas, pinturas feitas pelo divino a cada piscadela. 
Em imenso, límpido e fresco espelho, cantavam sapos e grilos,
O fluxo seguia abaixo da superfície, mas também acima.
Ainda havia muito ali, vibrando, mesmo que se fizesse silêncio absoluto;
O astro, rei do céu em plenitude, tornava a vida calorosa;
Não se recordava de abraço tão afável quanto este.

Quieto amargor súbito despertou-lhe,

Um âmago inquieto e vulcânico.


T.Alves


 

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