Estava relendo cartas antigas. O Tempo, senhor da razão, matura tudo, não é?
As mesmas cartas que outrora me rasgaram, agora me dão alento.
Não sei dizer o porquê ou como, apenas sei que mudei.
Aceitei minhas raízes e meus demônios, engoli luz e escuridão, e saltei ao precipício.
Me lembro de me encantar com o simples e o fugaz, e enaltecer migalhas.
Seriam migalhas, ou eram o banquete que podiam me dar? Não sei dizer.
Ainda me sinto perdida, mas não só.
Solitude e solidão são companheiras e amigas de longa data. Ainda rio de mim mesma, ao pensar o quanto fugi delas, sendo elas minhas sombras. Aprendi a abraçá-las e a ter seu colo como casa.
As vezes tragamos, as vezes, prosas, mas sempre lar.
Sempre me vi tão adulta e hoje veio quão criança sou. Ainda falta tanta estrada, tantas bifurcações e pedras adiante, que mal posso ver o horizonte.
Ainda tenho pressa, ao passo que, quero aproveitar cada pôr do sol e cada gota de chuva no caminho.
Encontrei a lucidez mergulhando fundo na loucura.
T.Alves

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