28 janeiro 2026

In Nomine Patris

 "Adorei as almas, as almas adorei (...)" 


Trocam de ídolos como de roupa

Hoje uma cor clara, amanhã sangue e negro.

Aonde estaríamos sem as correntes?

Aonde estaríamos se elas nunca atassem pés e pulsos?

O sorriso dourado e os olhos feitos de esmeraldas

(Mil contos de réis)

Pérolas vertem de seu ventre, abusado.

Mãos, pés, corpo cansado.


Esqueci meu nome e identidade

Que identidade? Corpos sem alma são ferramentas

Quem sou?

Um arremedo de coisa alguma, 

O que sobrou de algo... Ou alguém. 

Não sei dizer, me apagam, sufocam..


- Calada!


- Sim, sinhô. 


Cabisbaixo, cicatrizes, tronco.


A escuridão sempre provocou medo nos homens

A pele escura acordou o diabo do coração branco.


Em nome de deus, ainda ajoelhamos e rezamos, 

Em nome do deus, vestimos paletó.

Em nome do deus, conhecemos os sete palmos.


Cedo demais.


Se converta, ou perecerás!

T.Alves




21 janeiro 2026

Cia: soledad

 Estava relendo cartas antigas. O Tempo, senhor da razão, matura tudo, não é?

As mesmas cartas que outrora me rasgaram, agora me dão alento.

Não sei dizer o porquê ou como, apenas sei que mudei.

Aceitei minhas raízes e meus demônios, engoli luz e escuridão, e saltei ao precipício.


Me lembro de me encantar com o simples e o fugaz, e enaltecer migalhas.

Seriam migalhas, ou eram o banquete que podiam me dar? Não sei dizer.


Ainda me sinto perdida, mas não só.


Solitude e solidão são companheiras e amigas de longa data. Ainda rio de mim mesma, ao pensar o quanto fugi delas, sendo elas minhas sombras. Aprendi a abraçá-las e a ter seu colo como casa.


As vezes tragamos, as vezes, prosas, mas sempre lar.


Sempre me vi tão adulta e hoje veio quão criança sou. Ainda falta tanta estrada, tantas bifurcações e pedras adiante, que mal posso ver o horizonte.

Ainda tenho pressa, ao passo que, quero aproveitar cada pôr do sol e cada gota de chuva no caminho. 


Encontrei a lucidez mergulhando fundo na loucura.


T.Alves