Me desfaço em fumaça
Entre um trago e outro, eu vou.
Não sou donzela encantada, querido,
Prefiro ser a vilã que me pintam
Mesmo mártir, ainda serei a bruxa da floresta
A que envenena poços e seca plantações.
Vamos jogar?
Você me conta uma mentira doce, e eu como seu coração
Querido, abra os olhos, e veja os aplausos
O tolo sempre tem plateia.
A cada gole, absorta e inebriada,
Teias me envolvem e aranhas me traçam,
Enquanto se alimentam, desvaneço-me.
Minhas chagas me lembram quem sou.
Quem fui, não importa mais.
A fumaça, a cólera, a fome,
O movimento do diafragma me nutre as veias,
A lâmina as desfaz,
Os tragos, recondicionam.
Amanhã é outro dia, outra vida.
Enquanto nuvens derramarem bênçãos,
Estarei aqui.
T.Alves
