21 dezembro 2018

Cala-me com tua boca. 
Que sejam teus beijos meu despertar. 
Doce aurora, lindo luar. 

Olhos apaixonados vêem beleza nas rochas. Até elas têm a graça divina de ser acariciada no verão pelo sol e no inverno pela chuva. 
Quero eu, teu calor nos dias frios... quentes. Não importa-me, quero-te incondicionalmente. 

T. Alves

08 dezembro 2018

Resta a Flor



Pra onde fostes amado?

Deixaste-me na estrada só

Fui rodeada por espinhos e demônios,

Almas vãs e espíritos imundos.

Ceguei-me no meio da escuridão, não vi luz ou cousa alguma

Não senti cheiro ou sabor.

Então cai.

Fui tola flor, entorpecida, egoísta, esquecida.


Então passaram-se mil anos, amado,

E pra cada pérola que deixei cair,

Nasceu uma cicatriz.

Sangue jorrava, espinhos cresciam e alimentam-se os demônios.

Restou-se semente, raízes podres e folhas mortas.


(Resta a ti, semear-me ou enterrar-me)


T. Alves

10 dezembro 2017


Ora brisa suave, ora tempestade
Ora chama, ora fogo
Ora mundo, ora imensidão sem fim.


Ora presente, ora lembrança fugaz
Ora sorrisos, ora lágrimas
Ora canção, ora silencio.


Ora criança doce, ora frio homem
Ora sábio, ora aprendiz


Ora, outrora
Um emaranhado.
Flores, espinhos,
Versos, vertentes.


Se não fosse tu, alma minha
Não seria amor


(Não seria nós
Não seríamos).


T. Alves

22 abril 2017

De quem serão essas lágrimas latentes? Caindo sobre o horizonte além. 
Lavando almas, resfriando corpos, pensamentos...
Hoje está frio. 
Não vi os pássaros das 16:30, mas ouvi o riso de uma criança, e sorri. 
Aos poucos, juntei alguns cacos, os colei e os recompus. 
Há muito, não sinto o perfume da flor. Há outro tanto, não vejo o sorriso do velho. 
E em meio a chuva, um sol tímido espreita... se vai.
Tão logo o dia lhe segue, se esvai.
Enquanto as lágrimas gélidas permeiam a cidade.

T. Alves 


22 julho 2016

Seja como for.
As asas do pássaro que canta; por frio, fome ou dor.
Seja como for.
As patas do pássaro que engaiolado; já não toca mais o chão.
Seja como for.
Às penas gastas do pássaro velho que olhou para o céu; sem esperança de voar.
Seja como for; o pássaro.
Seja como for o passado.
Pássaros são sempre pássaros.
O que muda são os olhos...
Os olhos que vêem...
As grades que te prendem ou o céu a sua frente.
Mas pássaros sempre serão pássaros.

William Junior


19 junho 2016



Brinquemos amado, de ciranda, inocentes como crianças, floreemos os passos e cantemos alegres, pois no caminho encontrei a ti.

Vivamos o sonho jovem de amar. 
Amar até que apenas nos reste brasa e então que da brasa se faça fogo novamente.
Amemo-nos na chuva, em baixo dos cabelos da aurora, cobertos pelas flores do campo.

À noite quando vieres, se já adormecida estiver eu, deita-te comigo, aninha-te em mim e despertarei eu num sonho melhor.

Autor: T. Alves


02 abril 2016


Eu sou o beija-flor da rosa branca
Eu sou a menina dos olhos do meu amado
Quando eu tive sede, me saciastes
Quando eu tive fome, me enchi do teu amor.
Quando eu fiquei cega, fostes meu guia.

Perdoa-me menino por ser tola
Perdoa-me por ser torta
Eu ainda não aprendi a ser flor
Ou por medo de murchar, não desabrochei.

Eu sou a borboleta do cravo doce
Eu sou a bela do meu amado.

Espero-te após a tempestade.

T. Alves

31 março 2016

Somente à Ela


Que se misture às gotas frias e também às minhas - quentes - e se vá.
Aquilo que aperta o peito e me sufoca alma.

Meu amor se foi...

Meu amor se foi
A aurora dos meus sonhos.
Não mais tornarei a vê-la,
Nem teu perfume rosado sentirei,
Ou teu amor provarei.
De ti me sobram as lembranças, a saudade e o amor.

Meu amor se foi, ao fim da aurora.

          T. Alves


25 fevereiro 2016



Na noite passada eu não vi estrelas,
Eu não vi a Lua em seu esplendor nem quando partiu para seu repouso,
Eu não ouvi o piado da coruja, nem o canto do vento.
                                                                   
Noite passada eu não o vi.
Não senti o teu cheiro, nem senti teus afagos.
Não vi teus olhos de avelãs, nem teu sorriso.

Então amanheceu...

Eu vi a aurora e a revoada dos pássaros,
Eu vi o céu multicor lentamente se firmar em anil,
Eu senti o cheiro da terra molhada de orvalho e do pão quente.

Então fechei meus olhos e caminhei,
Mais um dia...


T. Alves



28 janeiro 2016

Fructus


Se não fosse a vida um mar de acasos, onde estaríamos amado?
Num dia qualquer eu vi a luz nos teus olhos e provei do teu amor.
Me disse um sábio certa vez, “em um beijo se troca partes da alma”.
 Então me preenchi de ti e no frenesi dos corpos fomos ao firmamento.
Agora amado, tu estás em mim e eu em ti, e o fruto do acaso será uma nova luz.


Autor: Anjo Negro