Eu me odeio
Por cada lágrima que sorvi em mim,
em ti.
Por cada palavra afiada como lâmina,
Por cada grito abafado.
Nas tempestades e enxurradas que desaguam
Me afogo, me alimento, atuo.
Perdoe-me, eu não sei o que faço.
Eu me odeio
Por cada lágrima que sorvi em mim,
em ti.
Por cada palavra afiada como lâmina,
Por cada grito abafado.
Nas tempestades e enxurradas que desaguam
Me afogo, me alimento, atuo.
Perdoe-me, eu não sei o que faço.
Pois veja, Maestro, até onde viemos!
O quanto andamos, não é?
Ora unidos, ora sós.
Muitas vezes perdidos - em nós.
Nós dados, (por vezes, nós cegos)
Prendendo-nos, um ao outro,
Até cortamos os laços, e darmo-nos as mãos.
Com a benção dos reis fomos coroados.
O frio e o calor nos temperou à forja.
Vimos noites escuras e tempestuosas,
Passamos dias abafados e mudos.
Com a escuridão das vistas e a surdez nas palavras,
Contemplamos o sopro fresco oloroso,
Banhamos-nos às lágrimas da rainha,
Fitamos o bailar das folhas ao vento,
Desejamos a luxuria do tempo.
Ah, Maestro!
Se pequei ao amar-te que se dane a pena.
Sou a musa de várias faces, mas apenas um coração.
És teu para que guardes,
És teu para que comas.
Toques para mim, bailarei para ti.
T. Alves.
Não chores pequena dama,
Sim, sua doce violeta foi florescer em outro jardim,
Mas enquanto esteve aqui, foi a alegria dos días.
Então, regue seu túmulo com a tempestade de seus olhos;
Ao final, acenda o fogo e celebre a passagem.
A saudade será sua lembrança e companhia
Novas vidas virão...
E irão....
Haverão Invernos e Verões, Primaveras e Outonos...
Deixe-a ir e guarde o amor que floresceu em ti.
A violeta estará no jardim com as outras flores que te aguardam.
T. Alves
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Diga-me Bardo,
Que contos permeiam sua mente?
Assisto a ti, tragando.
Absorto em outros mundos.
Diga-me Bardo,
Que ode estás à compor?
Divagas em meio ao Tempo, fitando o vazio.
A tua mudez me cala.
Teu olhar me enfeitiça.
Tua lira me encanta.
Queimo, por vezes em euforia,
Por outras em agonia.
Mas em todas as vezes,
Aliciada estou à incógnita que és a cada amanhecer...
T. Alves
Tenho tentado ser outra.
Despi, troquei-me, ardi.
Fingi beleza na dor,
Calma no desespero,
Lucidez à cegueira.
Surda, caminhei.
Emudeci aos gritos.
Cavei à fundo,
Até meus dedos sangrarem,
Ainda assim, não encontrei minha raiz pútrida.
Mesmo ao banhar-me, a mefítica permaneço.
Reconheço as sombras que me cegam,
Cópias minhas.
Amarrar-me-ei em poste e palha.
Acendas tu a lenha.
Queimar-ei sem voz de súplica.
Confesso a mim meus pecados
Engasgada com palavras de perdão,
Purificada em chamas,
Renascida, Lume.
T. Alves
Eu vi tudo desmoronar
Busquei colar os cacos, mas é em vão
Não existem contos de fadas
Da minha janela só veio tragédias
Tão claro, tão limpo e ainda enxergo embaçado
Minha maior parte é pútrida, bolorenta
Anseio pelo silêncio, mas ouço gritos exasperados
Lanço espinhos e me corto em águas
Meu ego me devora
Caminho baldada, trôpega, vazia,
amofinada.
T. Alves
Ó Rainha! Perdoe-me pela morosidade!
Devido à agilidade do Tempo, atrasei-me em corteja-la.
Devo dizer-lhe:
Teu perfume me cerca, mesmo em longínquos ares.
Tua beleza me fascina em cada novo desabrochar.
E teu toque quente, é dádiva.
Deságua-te, ó Rainha, e purifica-me
Antes que o Tempo passe e teu reinado se finda.
Até lá, deleitar-me-ei dos teus dias,
Vibrar-me-ei a cada nova cor,
As quais pintas os céus e a terra.
E ao final, esperar-te-ei,
Até que renasças e me preenchas uma vez mais.
T.Alves
Como flores murchas,
Disse…
Que essência teriam as lágrimas?
Murmurou.
O cheiro acre, a palidez
Desconheço qual cor pintaria os dias
Rabisco frases sem sentido, desconexas
Minha cabeça está cheia, o peito vazio.
Afogada, sufocada, cansada.
Sons, palavras, dores, silêncio, vazio.
A menina no balanço, muda.
Sonhos turvos
E ainda assim me embriago de mim.
Silêncio,
Por favor,
Calem-se!
Estou enlouquecendo?
Estou enlouquecendo!
Quem sou eu amanhã?
Quem sou?
T. Alves
Durma maestro.
Se deleite em meus braços,
Faça do meu colo berço teu
Enquanto velo teu sono,
Suplico ao tempo que se demore aqui
Guardo cada linha tua em um quadro na memória
E quando te aninhas em mim, assim como menino
Regozijo me em ser musa tua
(Se é que ainda sou)
Todavia,
Durma maestro
Os sonhos são o descanso da alma.
T. Alves
Cega, surda e muda.
Pesadelos e abismos
As palavras não chegam, ou chegam tortas.
Enquanto rabisco papéis em puro embargo
Vou perdendo outra parte
Que importância faria sem ver a luz?
Quando ouço-os, inaudível aflição.
Nem qualquer piedade tiveram os deuses
Apenas, recusaram o gozo
Fim à Nimpha.
T. Alves