T. Alves
16 julho 2023
11
17 junho 2023
PRETOS
Vejo meu povo através de lentes tortas
as lágrimas vermelhas pintam o quadro
borram as vistas e tingem as palavras.
A história canta agonizante.
Atrás de um novo mundo, forçaram almas
Liberdade é um sonho tão belo quanto o amanhecer,
mas as horas e o tempo nos acorrentam
perdemos, até ganhar a morte.
Eu sei, hoje os navios ainda navegam!
Veja, ainda estou de pé atravessando os caminhos
tenho saudades de casa, do abraço, do colo da mãe.
Ainda os carrego comigo
posso senti-los em meus ossos,
ainda gritam por suas asas.
E através de mim, podem ver as estrelas.
"I go to prepare a place for you."
T. Alves
24 maio 2023
10
Eu me odeio
Por cada lágrima que sorvi em mim,
em ti.
Por cada palavra afiada como lâmina,
Por cada grito abafado.
Nas tempestades e enxurradas que desaguam
Me afogo, me alimento, atuo.
Perdoe-me, eu não sei o que faço.
04 abril 2023
Zinco
Pois veja, Maestro, até onde viemos!
O quanto andamos, não é?
Ora unidos, ora sós.
Muitas vezes perdidos - em nós.
Nós dados, (por vezes, nós cegos)
Prendendo-nos, um ao outro,
Até cortamos os laços, e darmo-nos as mãos.
Com a benção dos reis fomos coroados.
O frio e o calor nos temperou à forja.
Vimos noites escuras e tempestuosas,
Passamos dias abafados e mudos.
Com a escuridão das vistas e a surdez nas palavras,
Contemplamos o sopro fresco oloroso,
Banhamos-nos às lágrimas da rainha,
Fitamos o bailar das folhas ao vento,
Desejamos a luxuria do tempo.
Ah, Maestro!
Se pequei ao amar-te que se dane a pena.
Sou a musa de várias faces, mas apenas um coração.
És teu para que guardes,
És teu para que comas.
Toques para mim, bailarei para ti.
T. Alves.
22 janeiro 2023
À Violeta
Não chores pequena dama,
Sim, sua doce violeta foi florescer em outro jardim,
Mas enquanto esteve aqui, foi a alegria dos días.
Então, regue seu túmulo com a tempestade de seus olhos;
Ao final, acenda o fogo e celebre a passagem.
A saudade será sua lembrança e companhia
Novas vidas virão...
E irão....
Haverão Invernos e Verões, Primaveras e Outonos...
Deixe-a ir e guarde o amor que floresceu em ti.
A violeta estará no jardim com as outras flores que te aguardam.
T. Alves
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07 janeiro 2023
Carta ao Bardo
Diga-me Bardo,
Que contos permeiam sua mente?
Assisto a ti, tragando.
Absorto em outros mundos.
Diga-me Bardo,
Que ode estás à compor?
Divagas em meio ao Tempo, fitando o vazio.
A tua mudez me cala.
Teu olhar me enfeitiça.
Tua lira me encanta.
Queimo, por vezes em euforia,
Por outras em agonia.
Mas em todas as vezes,
Aliciada estou à incógnita que és a cada amanhecer...
T. Alves
17 dezembro 2022
9
Tenho tentado ser outra.
Despi, troquei-me, ardi.
Fingi beleza na dor,
Calma no desespero,
Lucidez à cegueira.
Surda, caminhei.
Emudeci aos gritos.
Cavei à fundo,
Até meus dedos sangrarem,
Ainda assim, não encontrei minha raiz pútrida.
Mesmo ao banhar-me, a mefítica permaneço.
Reconheço as sombras que me cegam,
Cópias minhas.
Amarrar-me-ei em poste e palha.
Acendas tu a lenha.
Queimar-ei sem voz de súplica.
Confesso a mim meus pecados
Engasgada com palavras de perdão,
Purificada em chamas,
Renascida, Lume.
T. Alves
15 novembro 2022
8
Eu vi tudo desmoronar
Busquei colar os cacos, mas é em vão
Não existem contos de fadas
Da minha janela só veio tragédias
Tão claro, tão limpo e ainda enxergo embaçado
Minha maior parte é pútrida, bolorenta
Anseio pelo silêncio, mas ouço gritos exasperados
Lanço espinhos e me corto em águas
Meu ego me devora
Caminho baldada, trôpega, vazia,
amofinada.
T. Alves
24 outubro 2022
À Primavera
Ó Rainha! Perdoe-me pela morosidade!
Devido à agilidade do Tempo, atrasei-me em corteja-la.
Devo dizer-lhe:
Teu perfume me cerca, mesmo em longínquos ares.
Tua beleza me fascina em cada novo desabrochar.
E teu toque quente, é dádiva.
Deságua-te, ó Rainha, e purifica-me
Antes que o Tempo passe e teu reinado se finda.
Até lá, deleitar-me-ei dos teus dias,
Vibrar-me-ei a cada nova cor,
As quais pintas os céus e a terra.
E ao final, esperar-te-ei,
Até que renasças e me preenchas uma vez mais.
T.Alves
13 setembro 2022
7
Como flores murchas,
Disse…
Que essência teriam as lágrimas?
Murmurou.
O cheiro acre, a palidez
Desconheço qual cor pintaria os dias
Rabisco frases sem sentido, desconexas
Minha cabeça está cheia, o peito vazio.
Afogada, sufocada, cansada.
Sons, palavras, dores, silêncio, vazio.
A menina no balanço, muda.
Sonhos turvos
E ainda assim me embriago de mim.
Silêncio,
Por favor,
Calem-se!
Estou enlouquecendo?
Estou enlouquecendo!
Quem sou eu amanhã?
Quem sou?
T. Alves







