17 fevereiro 2019

À mim


Enquanto eu dançar pelos mares
Ouvindo ventos uivantes e choros estridentes
Na madrugada, de corpo limpo e alma sórdida,
Os olhos vidrados no vazio de mim mesma.
Por onde andaria a parte que falta?
Se falta ou se perdeu na confusão dos dias,
Da minha mente turbulenta.
Mil cores remetem à aromas, das minhas memorias confusas.
Quando é presente se o passado bate à porta do amanhã?
Onde estarei no fim?
Inexistência é um alento!
Pensando nisso, um sorriso me volta ao rosto.
Te aguardo nos portões da morte, rodeada de flores e desejo.

T. Alves

31 dezembro 2018

Primeira Carta - Primeira Noite

Desejo o estupor, para não lembrar-me da dor.
Desta vez estas longe, distante dos meus braços 
Que faria eu se é escolha tua?
Por mim, repousarias em meu colo, penteando teus cachos,
O faria dormir com contos e cantos.

Ainda assim, despedaçada , espero-te.

Não há amor em mim, que  faça-me esquecer-te ou deixar-te.
Não há dor em mim que cure a falta tua.
Não há nada que preencha a falta tua
E ainda assim, espero meu despertar
E ver teus olhos doces aguardando-me nas manhãs claras. 


T. Alves

23 dezembro 2018

Despedida

Instalou-se a desgraça
Vestiu-se de rachaduras e dor.
Ela era a dama da noite,
Sob seu véu translúcido,
À luz da Lua tilintavam as contas,
Reluziam como pérolas na madrugada.
O canto triste acompanhava-a,
Ia de encontro ao desconhecido com saudade de casa.
Atrás de si, cantos, sonhos, flores, memórias e prazeres doces.
Tudo se perderá a cada passo dado ao nada
Então, abraça-o na esperança de esquecer suas feridas.

T. Alves

21 dezembro 2018

Cala-me com tua boca. 
Que sejam teus beijos meu despertar. 
Doce aurora, lindo luar. 

Olhos apaixonados vêem beleza nas rochas. Até elas têm a graça divina de ser acariciada no verão pelo sol e no inverno pela chuva. 
Quero eu, teu calor nos dias frios... quentes. Não importa-me, quero-te incondicionalmente. 

T. Alves

08 dezembro 2018

Resta a Flor



Pra onde fostes amado?

Deixaste-me na estrada só

Fui rodeada por espinhos e demônios,

Almas vãs e espíritos imundos.

Ceguei-me no meio da escuridão, não vi luz ou cousa alguma

Não senti cheiro ou sabor.

Então cai.

Fui tola flor, entorpecida, egoísta, esquecida.


Então passaram-se mil anos, amado,

E pra cada pérola que deixei cair,

Nasceu uma cicatriz.

Sangue jorrava, espinhos cresciam e alimentam-se os demônios.

Restou-se semente, raízes podres e folhas mortas.


(Resta a ti, semear-me ou enterrar-me)


T. Alves

10 dezembro 2017


Ora brisa suave, ora tempestade
Ora chama, ora fogo
Ora mundo, ora imensidão sem fim.


Ora presente, ora lembrança fugaz
Ora sorrisos, ora lágrimas
Ora canção, ora silencio.


Ora criança doce, ora frio homem
Ora sábio, ora aprendiz


Ora, outrora
Um emaranhado.
Flores, espinhos,
Versos, vertentes.


Se não fosse tu, alma minha
Não seria amor


(Não seria nós
Não seríamos).


T. Alves

22 abril 2017

De quem serão essas lágrimas latentes? Caindo sobre o horizonte além. 
Lavando almas, resfriando corpos, pensamentos...
Hoje está frio. 
Não vi os pássaros das 16:30, mas ouvi o riso de uma criança, e sorri. 
Aos poucos, juntei alguns cacos, os colei e os recompus. 
Há muito, não sinto o perfume da flor. Há outro tanto, não vejo o sorriso do velho. 
E em meio a chuva, um sol tímido espreita... se vai.
Tão logo o dia lhe segue, se esvai.
Enquanto as lágrimas gélidas permeiam a cidade.

T. Alves 


22 julho 2016

Seja como for.
As asas do pássaro que canta; por frio, fome ou dor.
Seja como for.
As patas do pássaro que engaiolado; já não toca mais o chão.
Seja como for.
Às penas gastas do pássaro velho que olhou para o céu; sem esperança de voar.
Seja como for; o pássaro.
Seja como for o passado.
Pássaros são sempre pássaros.
O que muda são os olhos...
Os olhos que vêem...
As grades que te prendem ou o céu a sua frente.
Mas pássaros sempre serão pássaros.

William Junior


19 junho 2016



Brinquemos amado, de ciranda, inocentes como crianças, floreemos os passos e cantemos alegres, pois no caminho encontrei a ti.

Vivamos o sonho jovem de amar. 
Amar até que apenas nos reste brasa e então que da brasa se faça fogo novamente.
Amemo-nos na chuva, em baixo dos cabelos da aurora, cobertos pelas flores do campo.

À noite quando vieres, se já adormecida estiver eu, deita-te comigo, aninha-te em mim e despertarei eu num sonho melhor.

Autor: T. Alves


02 abril 2016


Eu sou o beija-flor da rosa branca
Eu sou a menina dos olhos do meu amado
Quando eu tive sede, me saciastes
Quando eu tive fome, me enchi do teu amor.
Quando eu fiquei cega, fostes meu guia.

Perdoa-me menino por ser tola
Perdoa-me por ser torta
Eu ainda não aprendi a ser flor
Ou por medo de murchar, não desabrochei.

Eu sou a borboleta do cravo doce
Eu sou a bela do meu amado.

Espero-te após a tempestade.

T. Alves