18 maio 2015


Me vi em teus braços numa manhã.
Minto, eu desejei teus braços naquela manhã
Teu abraço me aqueceria
Teu bafor assim ao pé de minha orelha me inebriaria.
Mas apenas sonhei, com o amor que eu ganharia um dia.

Autor: Anjo Negro


Já era tarde demais para chorar.
Cedo demais para dizer que o fim era próximo.
As palavras duras me bateram pesadas como as asas que me foram retiradas. O alforje pesado que carrego nada é capaz de criar. O alaúde sem cordas nada mais é que um amuleto guardado de tempos antigos.
As liras doces que entoava hoje em minha mente parecem ditas por outro. Exceto aquelas que disse a você.
As árvores observadas outrora hoje se preparam para o inverno, não se parecem com as mesmas da primavera que não tardou em findar... Ela aconteceu a quanto tempo mesmo?
Olhos famintos tão familiares me vêem da escuridão. Afaga o cão que não tardará ao final da hora em morder a minha mão.
Monstros imaginários voam das sombras com carne e ossos.
Mas já era tarde demais para chorar.
Cedo de mais para dizer que o fim era próximo.

Autor: William Junior

17 maio 2015

O frio assola as janelas e as paredes da casa vibram violentamente.
As ordas que nos cercam cederam aos braços fortes do vento e o inverno os consumirá. Mas o que seremos ao final desta guerra?

Corpos e mais corpos. Desolados, destruídos, sem destino. A vida se foi em meros estouros.
Eu tive medo, eu tenho medo.
Quando virá o sol quente e a brisa fresca primaveril?

Ao final da dor, da loucura e do desespero, corpos são apenas corpos se a alma já se foi ainda que em vida.
Também tenho medo, por mim e por ti. Tenho medo que minha lucidez se vá antes do fim do inverno. Tenho medo de não ser o bastante para nos suprir. A casa já tão frágil talvez não resista a um ataque.

O inverno é feroz e somos frágeis. Ainda temos o fogo dentro de nós.  Mesmo que o teu se apague haverá o meu.
Ataques haverão e se o teto ruir, faremos outro.
A tua loucura me é lucidez

Me abrigo em ti nas piores noites. A mim que me supus forte, me contemplar em pequenos reflexos no meio da tempestade...
O vento mais forte arranca tua carne. Mas a mais fraca corta mais profundo que qualquer coisa.
Quantas e quantas vezes teremos que reconstruir este telhado minha amada?

Talvez após todo inverno. Talvez sempre ajam recomeços. Talvez sempre seremos soldados. Mas eu fui feliz em cada batalha.
Eu vejo a luz em sua escuridão.

Eu sou feliz ao teu lado. E por isso eu luto.
Eu vejo luz em tua escuridão.

Autores: William Junior e Anjo Negro

03 maio 2015

Eu vi um violeiro no alto do monte.
Ele tocava.
Eu vi sua alma se esvair em cada nota, e em cada uma ele se renovava.
Eu vi uma moça à beira dum rio, e mesmo ao longe ouvia o violeiro.
Eu vi sua alma alegre em cada canção.
Eu vi duas figuras ao alto dos céus,
Elas bailavam entre as nuvens, entre a revoada dos pássaros, alegres.
Eu vi duas almas bailando ao alto dos céus, ao som do violeiro.

Autor: Anjo Negro

23 abril 2015

Me aqueço no teu olhar, teu corpo em chamas. Num bailar trépido, dançamos à noite, madrugadas a fio.
Bailarinos do amor se amavam.
E num deslumbre me afoguei em ti.
Correm de nós rios, testemunhas de nossa paixão.
Ama-me meu senhor infinitamente como aquela estrela, amar-te-ei como a eterna Lua.

Autor: Anjo Negro

18 abril 2015

Sonhos e vinho
colorindo uma noite, embriagando a carne.
Minha mente sã atormentada.
Minha alma embriagada, de afãs solitários, talvez sórdidos, bailando a minha frente...
Delírios torpes. Doces delírios...
Tenho enchido taças demais procurando preencher meu vazio.

Autor: Anjo Negro

16 abril 2015

Ainda espero o dia que seremos reis
No nosso castelo nada mais que felidade,
alguns luares, pôres do sol, e muito amor.
Diga-me plebeu, queres ser meu rei?

Autor: Anjo Negro

03 abril 2015

Mais uma ao poeta

Eu que estive há tempos, perdido em eras encontrei-me à sombra teu olhar. 
Naqueles dias, ao cair das tardes vi mundos refletidos em teus olhos.
 Me vi em teus mundos.
Que graça linda criatura,dádiva minha ter-te assim em meus braços, é divina.
Amo-te até o mais profundo do meu ser, ama-me também até além de ti.

Autor : Anjo Negro

27 março 2015

O Cravo e a Rosa


Amor entrelaçado, em espinhos e prosas.
Vi o amor desbrochar, - disse o Tempo - e o ódio surgir.
Vi o correr da vida e uma (des)união inseparável.
Vi uma nova vida nascer e ser cuidada.
Vi Cravo e Rosa amar a nova flor enquanto em si crescia raiva.
Um dia, após tantos mil, desfaleceu-se Rosa,
Triste e magoada.
Cravo então percebeu que jamais a odiara.
Cravo apenas não sabia como amar.
Rosa não sabia que era amada...
Triste fim, porém, dum amor dividido, ainda restara pequena Flor. E eu disse a Cravo:
- Mais uma chance...

Autor: Anjo Negro

26 março 2015

Fogos em centelhas respingam em meu rosto; ou seriam as minhas próprias lagrimas a me queimar?

As palavras ásperas que passam em minha garganta após tanto tempo sem nada a dizer me revelam uma voz que já não mais conheço.

E os altares que um dia fiz se provaram vazios. O tempo o passa e nos mostra tolos e sem valor.

Dias melhores vem e vão mas as palavras ficam.

O mundo que um dia me acolheu hoje me vê como uma piada que por ironia também aprendi a rir.

De que me valeram altares vazios? As velas se queimam e as lágrimas não param. Tributos mortais.

O mundo em brasa se desfez e ao final de um novo dia. As palavras de ordem em meio ao meu caos brilharam em um novo armageddon. "carppen dye"

Autor: William Junior