10 agosto 2024

Ponto Final

Era uma vez um amor eterno

Com promessas e música,

Desejos,

Sorrisos e lágrimas.


Era uma vez uma história bonita,

Porém, a rosa despetalou, 

O cravo chorou,

E a morada ruiu.


E ao fechar os olhos, a escuridão se fez.

Ao fechar dos olhos, tudo ficou bem. 


Então,

Entulhos formam novo alicerce,

Pétalas, adubam,

E o amor, um ponto final.


Re-comece.

T. Alves




15 julho 2024

16

Estou bem.

Dancei por horas, fingindo felicidade.

Por cima dos cacos, ignorei minha dor

Sonhei acordada e fui engolida por pesadelos

O escárnio riu de minha tolice,

Estou bem.

Desejei o descanso,

O perfume das rosas e a pá de cal.

Desejei lágrimas que não fossem minhas, 

E orações que me levassem a Luz.


Recolhi meus cacos, os colei com meu sangue, me refiz.


Honestamente, 

estou bem

Eu estou bem (?)

Sim, estou bem.


Adeus. 


T. Alves



07 maio 2024

Jung

Em disforia, não se viu.

Calou-se, padeceu.

Em gaiolas de ferro, afogava-se em alto mar,

Ouvia gritos, sentia o ódio alheio, por ser.

Lembra-te niño, a mãe te guarda.

Não há gaiolas, nem mar que o cubra,

Ou raiva do mundo que te atinjas.

A mãe te guia, o pai te protege.

Somos um, e não somos sós.


T.Alves




23 abril 2024

Ao bardo

Não me fites.

Tenho me esvaziado aos poucos,

Em lágrimas secas e prantos mudos.

Quem sabe não seja melhor uma casca vazia?

Já que me derramei, tal qual um rio, em dias de chuva.


Talvez eu ainda espere alguma migalha,

Uma sombra qualquer de um passado doce,

Onde maçãs mordidas enebriavam corpos e corações.


Agora, o vinho é seco e amargo,

Já não me entorpece, nem me diverte

Não há brilho enluarado que me afague,

Ou calor solar que me aqueça.


Talvez, volte eu a debulhar-me em papel,

Para calar o grito e a desesperança de um vazio infinito. 


T. Alves





10 abril 2024

A voz do Papa

Porquê me olhas? Não lhe reconheço.

Se deságuas, Imperatriz, não me importo.

Vendado viajo mil léguas, e a outras mil retorno.

Ao início, estagnado

Quem serías tú? Porquê me anseias? Por quê jubila-se perante mim?

Afasta-te, cão, injuriado demônio!

Pois teu cerne não me cabe.

Aos meus devaneios me entrego.

A ti? Que se perca no vazio.


As cobras sempre mordem no mesmo lugar.



T. Alves




08 abril 2024

Ponto e vírgula


À vida. Há vida?

Esmagado por seus infortúnios,

Quebrado por suas memórias,

Dilacerou a si, à beira do abismo

A escuridão que vias, lhe engolira.

A culpa, a raiva, a dor, quantas mais vozes gritavam em ti?

Quantas vezes calaste a tua?

Eu vejo você.

Ainda não é tempo de pontos finais e mesmo exausto das vírgulas, continue

Nós vemos você;


T. Alves




07 março 2024

15


Eu vi o sol brilhar novamente 

E não acreditei que fosse para mim

Invisível diante do espelho

Me perdi ou me esqueci de quem era

Andei em círculos, acreditei

Quem sou, se não minhas memórias?

Que memórias?

Quem é você?

Quem somos nós?


Abri os olhos, e só vi suas lágrimas. 



Perdão. 



T.Alves




16 fevereiro 2024

Ayaba


Ríos negros, 

riachos, 

cascatas

Desenrolam-se e tornam a enrolar-se.


Brilham como ouro, 

reluzem à luz,

 são revoltos!

 

Rebeldes, emolduram a beleza pura!


O que seria de nós, 

meros mortais,

se não nos entrelessásemos

 em suas curvas?

 

 Pergunto-me, 

seriam rios ou coroas,  

os cachos que despencam de tua cabeça?


T. Alves 





09 novembro 2023

Ijó

Danças entre ruínas enquanto padeces.

Em tempestades, louvas às torrentes 

Percorres descalça estradas afiadas,

E como delirante bailarina, cais.


As vozes cantam,

Não são as mesmas que gemem?

Onde estarias tu, ao estar defronte à lucidez?

Onde estás tu, que findou à noite?


Ainda bailas inocente, entre cacos e rachaduras

Ignoras a dor, atuas pela falsa benção. 

E ao fim da melodia, ainda saltas, ainda cantas

A fim de que se esvaia tua agonia,

por entre lágrimas e piruetas.


T.Alves




04 novembro 2023

Èmi ni

Eu sou a filha da deusa

Me encontro ao desabrochar das rosas e da vida

Sou doce como a brisa, e tempestuosa como a chuva

Podes ter meu calor afável, te acolho em meu ventre

Selvagem, me misturo ao tempo

Meu pai, bruto como rocha, e protetor

Sou filha dos deuses, abençoada criança

Eu ouço suas vozes, eu sinto sua presença

Eu sou a cria da mãe, a que corre pelas matas e ama 

A que chora e luta

A que foge e queima

Eu renasço em mim, de mim, para mim

Eu sou a filha da luz e da escuridão

Eu sou parte do pai

Eu sou a mãe.

T. Alves